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Elisabete Ascensão

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Testemunho

Enquanto aluna da Escola Preparatória de Santana, guardo, com saudosismo e alguma nostalgia, algumas memórias que quero fazer perpetuar no tempo: das aulas, das brincadeiras nos intervalos, da sala de convívio no primeiro pavilhão e aquele cheirinho a Bolas de Berlim que, logo pela manhã, invadia o bar dos alunos. As mesas de ping-pong, na sala de convívio, estavam sempre cheias de jogadores e espetadores entusiastas e o jogo do elástico, importado por uma colega de turma, vinda de França, foi muito apreciado pelo público feminino. Escusado será dizer que chegamos a “apanhar” para não retirar os elásticos à mãe da então chamada “Caixa de Linhas”. Recordo-me, ainda, do jogo do “Lá vai à obra” que jogávamos no terreno hoje ocupado pelo 4.º pavilhão e que, devido à perigosidade do mesmo para a saúde dos jovens, acabou por ser proibido. Das aulas, tenho também boas memórias. Tive muito bons professores! Peço desculpa a todos os outros, mas há uma professora que me marcou para todo o sempre. Quando chegava à escola, com a sua “máquina de café”, nome que alguém atribuiu ao seu Citroen, era uma alegria.

Gostávamos de ter “feriado”, mas não com ela. Quem não se lembra da professora “Zé Aveiro”? Eu aprendi a língua inglesa com ela. E se vos disser que ainda me lembro, como se fosse hoje, de uma canção que nos ensinou para memorizarmos os números até dez. “One, two, that´s my shoe; three, four, shut the door; five, six, these are sticks; seven, eight, stand up straight; nine, ten, start again…..”. Como, de forma lúdica, também se pode aprender!

Bom, mas nem tudo foi um “mar de rosas”. Também há as memórias menos boas que gostaríamos de apagar, mas não se consegue. Só vos conto uma que me marcou imenso, quando frequentava o 3.º ciclo: caí numa aula de Educação Física, parti um dente incisivo central a “ferro frio”, sangrava da boca e, a ordem que recebi, foi para me sentar no banco e aguardar pelo fim da aula. Cheia de dores, claro que desobedeci e, como percebi que a professora relativizou o acontecimento, fui para casa. Escusado será dizer que a minha mãe voltou comigo à escola. E, o resto da história, é o que se imagina. Encaminhamento para os Serviços de Ação Social e dentista para reconstrução de um dente que, felizmente, persiste até aos dias de hoje. Tive pena que não houvesse ensino secundário na altura em que concluí o 9.º ano. Tal como muitos colegas de turma e de escola, tive de me sujeitar, durante três anos, a fazer viagens de 4 horas diárias (duas para o Funchal, mais duas de regresso a Santana) para poder concluir o Ensino Secundário. Levantávamo-nos cedíssimo, no meu caso por volta das 05:30, para apanhar o primeiro autocarro da manhã e chegar ao Funchal às 08:00. Às vezes vínhamos no último autocarro do dia que chegava a Santana às 21:00. Foi duro, mas valeu a pena!

Hoje, como docente, sinto-me feliz por estar de regresso à “minha escola”! Nos primeiros tempos era estranho e até constrangedor, entrar na sala de professores, participar nas reuniões, nos convívios, olhar para antigos professores, agora, como colegas de profissão. Tratava-os por “Senhor(a) professor(a)…..”, até me chamarem à atenção. É a minha “segunda casa”!

Súmula Curricular

Foi aluna da Escola Primária dos Lamaceiros, da Escola Preparatória de Santana, da Escola Secundária Francisco Franco e licenciada em História – Ramo de Formação Educacional - pela Universidade Nova de Lisboa.

Fez estágio na Escola Básica e Secundária Rainha D. Leonor, em Lisboa e, desde 2001, que se tornou membro do corpo docente da Escola Básica e Secundária Bispo D. Manuel Ferreira Cabral. Aqui lecionou entre os anos letivos 2001 – 2010 e de 2018 até à presente data. Exerceu cargos de gestão intermédia como diretora de turma e coordenadora de 2.º e 3.º ciclos.

Entre os anos letivos de 2010 e 2018, foi vice-presidente da Comissão Executiva Instaladora e, subsequentemente, da Comissão Provisória, na Escola Básica dos 2.º e 3.º ciclos de S. Jorge – Cardeal D. Teodósio de Gouveia. Neste estabelecimento de ensino acumulou ainda o cargo de presidente do Conselho Pedagógico.

Em 2017, em parceria com outra docente da Escola de S. Jorge, coordenou a elaboração e publicação do livro Receitas tradicionais de S. Jorge – “ A nossa terra…o nosso património”, publicado em 2017. No ano de 2018, fez parte da equipa de coordenadores da elaboração de uma nova obra intitulada: São Jorge: memórias de um povo. Tradições orais e memórias ilustradas.

Na escola de Santana, ao longo dos vários anos, lecionou nos três ciclos de ensino: 2.º ciclo, 3.º ciclo e ensino secundário.