O papel da bananeira e da cana-de-açúcar na preservação do meio ambiente
Data: 2017-05-22 Visualizações: 319

O papel da bananeira e da cana-de-açúcar na preservação do meio ambiente

No âmbito da 14.ª edição do Concurso "Ciência Na Escola", promovido pela Fundação Ilídio Pinho, os alunos das turmas 1 e 2 do 11.º ano da Escola B+S Bispo D. Manuel Ferreira Cabral estão a desenvolver o projeto intitulado "O papel da bananeira e da cana-de-açúcar na preservação do meio ambiente".

Este projeto tem como principal objetivo produzir papel a partir do pseudocaule da bananeira e do bagaço da cana-de açúcar, dando-lhe algum uso e aumentando a sustentabilidade em relação a este recurso. Este papel terá vários fins, podendo ser bastante útil.

Também tenta-se sensibilizar toda a comunidade educativa e população em geral para os problemas que advêm da produção de papel utilizado todos os dias, uma atividade insustentável que leva à destruição diária das florestas do nosso estimado planeta, para além de um elevado consumo de água e emissão de poluentes. A produção deste papel ecológico que utiliza desperdícios de recursos muito abundantes na ilha, contribuirá para a diminuição do consumo de papel convencional e consequentemente menor prejuízo para o ambiente.

Para a concretização deste projeto contamos com diversos parceiros, nomeadamente: Engenho da Cana-de-açúcar do Porto da Cruz que nos forneceu o bagaço da cana-de-açúcar; Agricultor de uma plantação biológica de bananeiras que nos forneceu resíduos do pseudocaule da bananeira; Direção Regional de Agricultura que orientou uma visita guiada à referida plantação de bananeiras; Empresa GESBA que nos deu informações importantes relativas à evolução da produção de bananeiras na Ilha; ARM que nos facultou informações sobre a evolução do consumo do papel na ilha e quantidades de papel reciclado; Câmara Municipal de Santana que auxiliou ao nível do transporte da matéria prima necessária e aplicações do referido papel; Universidade da Madeira que apoiou o referido projeto ao nível das possíveis aplicações do referido papel e fundamentação teórica do processo industrial de produção do mesmo; o Instituto de Florestas e Conservação da Natureza, que apoiou o desenvolvimento deste projeto uma vez que os princípios defendidos pelo mesmo vão de encontro aos do projeto Eco- Compatível, dinamizado por esta Instituição na vertente das boas práticas agrícolas a favor da biodiversidade.

O processo inerente à produção deste tipo de papel sendo diversificado, necessita de conjugar os conhecimentos e do auxílio de várias áreas curriculares, o que constituiu uma mais valia para o sucesso dos alunos. Sendo alunos do curso de Ciências e Tecnologias aqueles que participam e lideram o projeto, aplicaram o método científico para a concretização de um protocolo eficaz que resultou na produção deste papel ecológico.

 Outro grande objetivo é divulgar este método para outras escolas e instituições para que, seguindo o exemplo, a nossa ilha possa evoluir e tornar-se mais sustentável em relação à utilização do papel.

O método para obter este papel é bastante simples, inicia-se recolhendo numa plantação de bananeiras, pseudocaule de bananeira que após a colheita do cacho já não tem uso e utilizando o bagaço da cana-de-açúcar disponível nos Engenhos. Cortam-se estes materiais em pequenos pedaços para facilitar a cozedura, trituraram-se num liquidificador e coloca-se a polpa obtida numa tina retangular, onde serão mergulhadas as telas construídas com madeira e rede mosquiteira, por fim colocam-se as telas a secar ao sol. Ao fim de 2 dias, pode-se retirar o papel das telas.

É possível obter-se diferentes tipos de papel, o qual irá ter o símbolo da Reserva da Biosfera de Santana como lembrança do seu objetivo e como já referido, poderá ser utilizado para diversos fins, nomeadamente a nível da obtenção de produtos de artesanato para venda, ou na construção de caixas, sacos, envelopes que, no futuro, poderão ser associados a produtos madeirenses à venda nas casinhas de Santana, para além de poder ser utilizado na escola para marcadores de livros, certificados, convites, agendas e muitos outros objetos decorativos.

Concluindo, o método criado e utilizado é socialmente, ambientalmente e economicamente vantajoso, utilizando-se os desperdícios de bananeira e de cana-de-açúcar, matéria prima abundante praticamente todo o ano na ilha da Madeira na fabricação de papel.

Nós, os alunos do ensino secundário do 11º ano, tentamos introduzir esta prática na nossa ilha que está sem dúvida preparada para integrar este projeto, abrindo as mentes a uma nova realidade, em prol da sustentabilidade.

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